Elas são unânimes: Camila está aprovada no papel. "É legal ver uma mocinha como empregada porque isso melhora o preconceito com a nossa profissão. Nós temos muita responsabilidade. Tomamos conta do que é dos outros e não é fácil conquistar a confiança das pessoas", diz a empregada doméstica Francisca de Medeiros, 41 anos.
E a mocinha carismática, que tem o respaldo das domésticas brasileiras, não é o único trunfo da novela de Thelma Guedes e Duca Rachid. "Cama de Gato" estreou com 25 pontos, ganhou fôlego e subiu um ponto por dia até a última quinta-feira. Os números mantém a média de audiência da antecessora, "Paraíso", que deixou a programação com bons 30 pontos no Ibope. Além disso, segundo especialistas, o folhetim tem a história certa para o horário: a da mocinha pobre que se apaixona pelo patrão rico. "É um formato que funciona bem, apesar de não trazer novidades. Nesse tipo de ficção, a mocinha neutraliza o vilão, que acaba caindo no gosto do público", diz Nilson Xavier, especialista em TV e autor do livro "Almanaque da Telenovela Brasileira".
Para a autora Thelma Guedes, toda história que traz uma mocinha pobre com alma de princesa é uma releitura dos contos de fadas, que vivem no imaginário das pessoas. "Mas a Rose é uma releitura diferente. É uma gata borralheira que vai descobrir o príncipe que há em Gustavo [Marcos Palmeira]. É ele quem sai das cinzas, não ela", diz. "Além disso, ela não é uma donzela ingênua, e Gustavo é um príncipe antipático", completa Duca.
Outro ponto positivo da novela é a química da dupla Rose e Taís (Heloísa Périssé), que já faz sucesso com suas confusões. "É muito legal quando aparecem as cenas das duas, que são engraçadas. Não dá para perder", diz a faxineira Maria Madalena de Jesus Silva, 56 anos.
"As atrizes combinaram com os papéis e combinam entre si. A história faz parte da imaginação e está empregada na literatura infanto-juvenil", assegura Laurindo Leal, professor de comunicação da USP.
De acordo com Camila Pitanga, embora a novela esteja começando, a repercussão já é significativa. "Gravei uma reportagem para o 'Fantástico' vestida de faxineira e recebi muito carinho dos funcionários da limpeza e do público." Para a atriz, Rose ficará marcada pelo senso de justiça. "Quando vir o Gustavo na pior, vai ajudá-lo. Ela fará com que ele recupere sua origem e tenha outra visão da vida."
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